domingo, 23 de abril de 2017

BOOKS \\ 5 livros que me marcaram, e o porquê

A Sofia convidou-me e eu prontamente aceitei. Se for para falar de livros, não há como recusar a um convite destes, principalmente quando o podemos fazer no seu dia, no Dia Mundial do Livro. Já agora, Feliz Dia a todas as pessoas que dedicam parte da sua vida a se cultivar através desta ferramenta tão poderosa, fantástica e mágica. Desde que me lembro, que sei que faço uso da literatura para inovar o meu pensamento, a minha pessoa e a maneira como encaro o meu quotidiano. Embora existam momentos em que leio bastante, em contraste com outros em que nada consigo fazer, a verdade é que existe sempre um momento propício para tal: seja nos transportes, antes de dormir, numa esplanada acompanhada pelo sol... Tentar descrever a atividade de leitura é tão complexa, exatamente por depender de pessoa para pessoa, e de mentalidade para mentalidade. Apesar de tudo isto, se há coisa que muitos conseguem ter em comum, para além do gosto pela leitura, é uma pequena lista dos livros que mais nos marcaram ao longo da vida. Ao elaborar uma na minha cabeça, pensei que fosse encontrar muitos nomes, contudo, o limite que a Sofia colocou foi mais que perfeito. Não só consegui seleccionar cinco livros, como também me sinto super satisfeita com o resultado!
\\ "As Intermitências da Morte", José Saramago (AQUI)
Esta lista não poderia começar de outra forma. Ao contrário de muitos dos meus colegas, Saramago encantou-me desde início. Mesmo tendo tido de precisar ler o calhamaço que é o Memorial, nem isso me demoveu de entrar no fantástico mundo d'as intermitências, e tudo porque sempre ouvi falar muito bem deste livro, e com cujas opiniões tenho agora de concordar. Este livro é tão complexo e ao mesmo tempo tão simples. O facto de Saramago ter pegado num tema tão dogmático e ter criado um mundo tão igual ao nosso, este sem as circunstâncias presentes na narrativa, é assustador. Aliás, excetuando dois livros desta lista, todos os outros são assustadores, na medida em que retratam uma sociedade completamente fora de si, e que se deixa levar por ideais macabros, capazes de desrespeitar os limites da força humana - quão Camões é que isto soou? - construindo um conjunto de pessoas com as quais não gostaríamos nada de conviver! Mesmo para quem não goste de Saramago, este livro é perfeito para mudarem a vossa opinião!

\\"A morte de Ivan Ilitch", Leo Tolstoi (AQUI)
Mesmo pequeno, este livro provocou-me um impacto enorme. Em conjunto com as intermitências, A morte de Ivan Ilitch é ainda mais chocante por nos retratar a situação crítica de um ser humano que, ao longo da sua vida, foi construindo arduamente aquela que era a sua vida profissional, pessoal e financeira, e que, em menos de nada, não chegou para o salvar do seu percurso enquanto "ser não utilizável". Menos de cem páginas foram o suficiente para me colocarem a cogitar de forma consciente acerca das minhas motivações, acerca das pessoas que me rodeiam, acerca daquilo que faço para deixar a minha marca no mundo em que vivemos. Por ser curto e grosso, é que acho importante as pessoas não terem receio de o pegar, explorar e arrecadar novas lições. Eu, pelo menos, aprendi mais do que achei possível!

\\"Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley (AQUI)
Outro grande clássico do qual ouvi falar bastante nas aulas de filosofia, no secundário, e o qual até tive medo de pegar pela primeira vez, embora a vontade de o explorar fosse imensa! Esta obra é tão poderosa, pelo facto de ter sido escrita há anos luz e, mesmo assim, se equiparar de forma tão macabra aos tempos recentes. Mais dia, menos dia, e havemos nós de estar submetidos a este tipo de realidade retratada, e tudo porque o governo gosta de nos manter debaixo de olho. Seja por nos controlar os sentimentos através de uma droga, ou por nos fabricar em massa nos laboratórios, se nós enquanto sociedade não lutarmos contra isto, há de chegar a um ponto em que a raça humana se sentirá ainda mais perdida do que já está! 

\\ "aparição", Vergílio Ferreira
Embora nunca o tenha chegado a terminar, e apesar desta ser a minha releitura do mês, aparição combinou demasiado comigo, mesmo até nas páginas que nunca li, e tudo porque Vergílio Ferreira tratou do tema da questão existencial. Não fosse por ser como sou, e este tema talvez não chamasse tanto por mim. Gosto de conteúdo que me faça reflitir como nenhum outro me poria a fazer; gosto de frases que não só são bonitas, como também alimentam o meu lado que ainda não achou a resposta que queria; gosto de escutar na prosa, a poesia que muitos não conseguem decifrar... aparição tem vindo a ser uma experiência diferente, serena, digamos até poética! Contudo, não vos posso adiantar muito, mas só pelo facto deste livro já me ter marcado sem antes me revelar o seu final, penso que diz imenso acerca dele!

\\ "Seja o que for o amor", Sofia Costa Lima (AQUI)
Por esta, a Sofia com certeza não esperava, mas passo a explicar: esta rapariga inspira-me! Em tudo, literalmente. A Sofia inspira-me a querer ser melhor no mundo da escrita; a Sofia inspira-me a nunca desistir dos meus sonhos; a Sofia, em conjunto com muitos outros, inspira-me a ser uma pessoa melhor. Já vos contei, uma vez, que escrevo desde os onze, e desde então que guardo em mim a vontade de, num dia, poder ter um livro publicado. Mesmo sem saber como o fazer, pelo menos na altura, no dia em que me cruzei com esta mulher no mundo da blogo, soube que era possível. É verdade que existem muitos bloggers que já têm os seus livros publicados, mas nenhum é como a Sofia, e tudo porque eu mantenho contacto com ela, e sou capaz de saber mais acerca dela, do que dos outros. Mesmo sem poder fazer comparações, nada me impedirá de dizer que a Sofia é uma pessoa que merece todo o respeito, todo o apoio e todo o sucesso com o seu trabalho. Quando li o Seja o que for o amor, estava a ultrapassar uma situação que se estabilizou por causa do livro, e por isso, só tenho mesmo de agradecer pela oportunidade que tive em recebê-lo em casa!

Blogues que estão a participar:

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Porque no momento em que ela se decidiu, ela compactuou com a possibilidade de nada ser como dantes. O que se resumia a partilhas, transformar-se-ia em fragmentos de memória, em desejos não cumpridos, em gargantas de um nó apertado, desejosas de encontrar alguém com a destreza de as libertar. Porque ela sempre soube que chegaria o dia de reservar um momento para a tomada de atitude, um vislumbre do que seria se ela tivesse tomado outros caminhos. Porque sem isso, muito provavelmente ela não estaria aqui, assim, a fitar o que há de melhor no mapa que é a sua vida, na dúvida, coagida a ter de optar. Ela acabou por optar ser feliz, buscando a própria felicidade, pois não há ouro que valha mais que o brilhar do seu sorriso no reflexo dos olhares que a acompanham, no congelar de uma foto, no palpitar que era o seu interior. Porque com as rachas que o seu coração foi ganhando, ela se apercebeu do perigo que era expô-lo a tanta vulnerabilidade, a tanto sofrimento, a tanta dor. Ela aprendeu qual a linha, qual a agulha, qual o movimento perfeito para fechar as fendas da alma, sem provocar futuros sangramentos, futuras desilusões. Porque tendo passado por um processo de calmaria, ela adquiriu a sabedoria que há muito procurava, mas a qual não encontrava devido à sede que a conduzia para a questão errada. 

sábado, 15 de abril de 2017

SÉRIES \\ 13 Reasons Why

Desta vez, não vos trago um guião do porquê desta série merecer ser vista, mas sim a forma como ela me fez sentir... Não que isso esteja logo explícito, mas espero que se sintam inspirados a dar uma oportunidade a esta produção. Para ser sincera, ela não me contou algo que já não saiba, nem me ensinou algo que já não faça. O que ela acrescentou em mim foi a vontade de continuar a ser a pessoa que sou, a continuar a depositar preocupação nos meus, assim como em mim mesma. Há marketings que não fazem jus àquilo que publicitam, no entanto, todo o alarido em volta desta série tem uma razão de ser... E esta é a minha!
As pessoas subestimam o poder das palavras. As pessoas subestimam o poder das ações. As pessoas julgam que só porque as coisas no seu mundo funcionam de uma maneira, automaticamente os outros vivem essa mesma realidade. As pessoas têm uma ideia errada de como é que a cabeça do próximo funciona. Uma simples atitude, um simples olhar, uma decisão repentina pode abalar estruturas e terminar com a vida de alguém... O que as pessoas não sabem, ou fingem não saber, é que isto acontece todos os dias, em todos os cantos possíveis do mundo. Há quem subestime o poder das artes, mas é através dessa arte que temos retratadas situações como nesta série. Esta não foi, de perto, a primeira produção a trazer à tona a questão do suicídio, afinal, quantos filmes de adolescentes nos é referido isso? Penso que a única coisa que separa esta série de tudo o resto é a maneira crua como as situações são expostas. Hannah Baker teve treze razões para se suicidar, treze oportunidades para procurar ajuda, treze oportunidades para pensar bem e não tomar a decisão que ela acabou por tomar. Hannah Baker é apenas mais uma, no meio de muitas "Hannahs", que encarou a morte como a única saída possível do emaranhado de sentimentos que a iam afogando, dia após dias. Hannah Baker teve treze motivos, mas nem toda a gente precisa de treze motivos, e somente um para se suicidar... E se isso acontece, obviamente que a atitude parte da pessoa que se mata, mas nada justifica a loucura que é ter de conviver com as pessoas que nos levam a isso.
Cada um de nós, seres individuais, tem direito a uma coisa que se chama livre arbítrio. Tendo como base a nossa educação, as escolhas que fazemos, as influências que temos, existem milhares de caminhos que podemos adotar para alcançarmos uma boa vida. Há quem opte pelos maus caminhos, há quem seja bem-sucedido, há quem prefira pisar os demais para chegar ao cimo da montanha... Mas depois há aqueles que, sem se aperceberem, estão isolados. A mente humana é tramada, na medida em que é das coisas mais frágeis que pode existir. É nosso dever fortalecê-la, mas isto se tivermos quem nos ajude, quem esteja disponível a abraçar o pior de nós, ensinar-nos a aceitarmos isso e ajudar-nos a melhorar a cada dia. Muitas são as pessoas que defendem de que não precisam de outros seres humanos para sobreviverem, e depois dos meus amigos, dos meus familiares, e desta série, posso concluir que quem pensa assim, já está dentro de um mundo depressivo, pronto para beber da solidão e, sabe-se lá, terminar com tudo. Depois destas reflexões, podemos concluir que uma simples peça diferente no comboio de dominós, pode reverter qualquer tipo de efeitos secundários. A tua atitude hoje, pode ser o motivo da morte de alguém amanhã. A tua falta de atitude também o pode ser. Teres medo de arriscar pode fazer com a pessoa ao lado se sinta incompreendida, sozinha, solitária; mas exagerares nas tuas convicções também pode gerar muitas consequências... 

Com isto tudo, as pessoas ficam sem saber o que fazer: se faço muito, estrago tudo; se nada faço, é igual, e é exatamente aí que as coisas podem começar, ou terminar: e se, talvez, tentasses conhecer a pessoa? E se, na eventualidade, tentasses incluir a pessoa na tua vida, sem violares o seu espaço pessoal? E se, aos poucos, tentasses ser mais empático/a, colocares-te no lugar de outrem e insistir em ajudar? Só porque a pessoa nos manda embora, principalmente num momento de maior desespero, não quer dizer que tenhamos de o fazer. Um abraço pode amenizar muitas ideias erradas que passem na cabeça de alguém... Uma mensagem a perguntar se está tudo bem, pode iluminar o mundo de alguém... Uma lembrancinha, um pormenor que demonstre que te lembraste de alguém, pode sim evitar catástrofes! As pessoas julgam que não, mas cada uma das vidas existentes, importa, nem que seja para nos ensinar uma lição. 
O suicídio é um assunto sério. Há quem encare este ato como algo egoísta, questionando-se "como pôde esta pessoa deixar-me?", mas já paraste para pensar que talvez tu é que a tenhas deixado, em algum momento, provavelmente quando ela mais precisou de ti? Há quem encare o suicídio como "foi a escolha dela/e, ninguém teve culpa", mas aí é que se enganam: se a pessoa chegou ao ponto de tirar a própria vida, foi porque alguém cá fora teve a decência de ligar esse interruptor nela! Dito isto, peço: reflitam. Preocupem-se mais. Socializem cara a cara. Não sejam pessoas de bosta. Não tomem por garantido tudo aquilo que têm. Não deixem que os vossos amigos permaneçam calados, quando lhes questionam acerca do que se passa com eles. Insistam até ao ponto de se sentirem prontos para dormirem sem preocupações. Façam com que aquele vosso amigo, que tanto refere o suicídio como uma escolha, abra os olhos para as infinitas soluções que lhe pouparão a vida, nem que para isso tenham de ser cruéis com a imagem que passarem - e eu falo porque eu já tive esta conversa com muitas pessoas que quiseram, em tempos, acabar com a própria vida. Sentem-se na vossa casa, ou ao lado de alguém, e tentem perceber que o mundo tem particularidades boas, que existem pessoas boas, e que nós é que temos o poder de escolher quem fica e quem sai da nossa vida, sem que isso nos corte por dentro.
Esta série não retrata, apenas, a menina que se suicidou... Esta série é dedicada a cada uma das razões de um suicídio e que, no fundo, também carregam razões para o fazer. O princípio de uma não auto-aceitação pode gerar contaminações muito bizarras, ao ponto de se direccionarem a um alvo só. Os problemas em casa são outros... A falta de atenção dos pais também... A falta de identificação... O vazio de não sabermos o que somos, para o que viemos... As ilusões que criamos, e as desilusões que elas nos causam... Tudo isto e muito mais... O que para ti é algo insignificante, pode não o ser para o teu irmão, por exemplo. O que para ti é motivo de riso, poderá ser a causa de muitas tristezas. O que não disseste hoje, e que poderia ajudar alguém, de nada servirá se essa pessoa já estiver morta.

Já viram esta série? O que é que aprenderam com ela?

As marcas que deixam marcas

Existem marcas em particular que me acompanham já há algum tempo. Poderia estar aqui a mencionar as marcas psicológicas que se foram acumulando, mas essas ninguém vê, excetuando certas regras, e que dependem do quão disponível estou para as fazer ver. As marcas de que aqui venho falar são físicas, visíveis e que chamam sempre a atenção. Muita gente as detesta, quando são as marcas delas; outras tomam-nas como detalhes que não deveriam existir, mas pela parte que me toca, só tenho a dizer bem. Com o passar dos anos, e tendo em conta as mudanças que eu fui implementando na minha vida, o meu corpo serviu para a Natureza como uma tela livre, limpa e disponível, um palco para as suas linhas, umas simples, outras mais elaboradas, e ainda assim bonitas. A primeira zona onde as identifiquei foi na barriga, qual alvo mais sofrido, e embora na altura me tenha questionado do porquê de isto me estar a acontecer, quando descobri a razão, comecei por encarar as consequências com outros olhos. Gradualmente foi passando para o peito, as virilhas, os ombros, e por aí vai. Encarar-me no espelho era complicado, existem certas idades onde se torna difícil gostarmos de nós, das nossas características, encontrar em nós as nossas qualidades, mas as pessoas crescem, não é verdade?
Hoje dedico esta publicação às estrias. Tal como disse mais acima, há quem não saiba lidar com esta consequência. Há quem desista de usar camisas de manga cava, há quem adote os fatos-de-banho no lugar dos biquínis, há quem abdique dos calções... Exetuando a conversa dos biquínis, se há coisa que eu gosto de exibir no meu corpo são as estrias. Muitas são as pessoas que não percebem como é que elas se formam, mas se formos a ver pelo lado positivo, o facto de elas cá estarem é porque nós decidimos lutar por um objetivo, e no meio da batalha, passámos por altos e baixos. A minha mãe muitas vezes me diz que quando eu atingir o corpo que quero para mim, as estrias permanecerão, sempre com alguma pena na voz, afinal, ela é minha mãe e só quer que eu fique bem psicologicamente, contudo, a única resposta que tenho para lhe dar é que eu gosto das minhas estrias e do facto de elas imprimirem em mim a minha jornada, os meus objetivos, e por refletirem o meu à vontade com elas. Mesmo que eu pudesse, eu não as tiraria de mim. De certa forma, elas cresceram comigo, elas acompanharam-me como ninguém, elas disseram e continuam a dizer-me o quão forte, flexível e resistente eu consigo ser, apesar das adversidades. Não só em mim, sou da opinião que as estrias ficam bem em qualquer um, seja homem ou mulher... 
Ou talvez seja de mim. Gosto de ter as coisas no sítio, mas existem particularidades que aprecio mais do que outras, e estas imperfeições - e chamo-as assim, porque sejamos honestos, a ideia de perfeição ainda não foi abatida na sociedade em que vivemos -, são o que me conquistam. Em casa, se eu fizer dois bolos e um deles sair mais amachucado do que o seu companheiro, eu terei olhos para o primeiro; não porque o segundo não tenha qualidades, mas sim porque o outro tem o que os outros não costumam ter... E é assim que eu penso, é assim que me rejo, e é assim que eu espero continuar a ser. Muitas foram as vezes em que duvidei que alguém quisesse olhar para mim sem me julgar por estes pormenores, mas acontece que eu tenho uma sorte danada no que toca a amizades, e até hoje, ninguém me desiludiu. Exetuando a desilusão que eu já senti de mim mesma, essa também já desapareceu. Em conjunto com as estrias, há outras marcam que deixam marcas, mas isso já é assunto para outro dia.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Queres tomar um café comigo?

Antes de mais, quero que relaxes. Amarra numa bebida que te deixe confortável, mete a tocar uma música que te faça abstrair do mundo em redor, e deixa de lado qualquer tarefa que estejas, neste momento, a realizar. Quero que me prestes bem a atenção, e que interiorizes cada palavra que eu referir. Antes de mais, como estás? E sê sincera/o pois só cá estamos nós a conversar. Se olhares em volta, este sítio é só nosso, portanto, não tens com que te preocupar. Tens passado bem, tens descansado o suficiente? Tens-te alimentado como o teu corpo e a tua alma merecem? Sim, Não? Porque não? Falta-te algum empurrãozinho em que possa ajudar? Não hesites, estou aqui para ti. Não queria iniciar este nosso diálogo com questões pesadas, mas para que a ferida doa menos, vamos diretamente a ela. Recapitulo, só aqui estamos nós, mais ninguém. Não tens desculpa para te sentires influenciada/o na hora em que me responderes; quero apenas que uses o coração, nem que isso leve alguns minutos a mais... Posso começar? Preparada/o? Ótimo.

Quantas vezes tiveste medo de arriscar numa coisa que, só de imaginar, impulsiona o pânico em ti? Quantas vezes esse pânico já levou a melhor de ti, e te fez sentir um/a fracassado/a? Muitas, não é verdade? Não te apoquentes, é recíproco. Já passei por isso, mas aprendi. O que eu gostaria de saber era se tu também já aprendeste essa lição. Tens medo? Medo de quê? De falhar? Mas falhar é humano, independentemente do número de falhas que cometas. O importante é nunca colocares de lado a possibilidade de te sucederes uma e outra vez. Novamente com medo? Porquê? Excluamos o falhanço, desse já conversámos. Tens medo de ser julgada/o, apenas porque o teu sonho não se adequa às ideologias que os outros alimentam de ti? E então? Que têm eles a ver com isso? São eles que estão dentro de ti? Não. São eles que te conhecem melhor do que tu a ti mesma/o? Hm, penso que não. São eles que adormecem contigo durante a noite? Talvez, mas mesmo assim. Se o sonho é teu, se ele é grande, se ele ocupa grande parte do espaço do teu coração, vai em frente. Baby steps at a time, darling. Acredita, com o tempo, tudo se resolve. Não que ele esteja a nosso favor, que ridículo pensar que sim, afinal, estamos a morrer desde o momento em que nascemos; contudo, não penso que esse seja o motivo para nos colocar de pé atrás. O problema é o dinheiro, as oportunidades, a falta de companhia? Ora essa, se estudares as situações, tal como elas merecem, chegarás a um consenso. Vai por mim.

Respira. Queres ir à casa de banho, observar um pouco o céu, fechar os olhos por instantes? Concedo-te esses minutos. Já de volta? Posso continuar? O que é que fazes por ti mesmo/a, e como é que isso melhora a tua qualidade de vida? Escreves quando a tua alma pede por isso, ou deixas passar porque "neste momento, não tenho tempo"? Lês quando tens aqueles dez minutos de pausa, ou preferes ligares-te à corrente para alimentar o teu instastory? Bebes aquele café pela manhã, ou aquele chá preto bem aconchegante antes de ires para os teus afazeres, ou preferes antes não o fazer devido à impaciência para esperar que eles arrefeçam? E aqueles copos térmicos, não? Dão muito jeito, falo por experiência, e já me safaram de muitas. Bons tempos para se congratular a evolução no mundo do design! Coloca a mão no peito. Fecha os olhos. Escuta a minha voz. E muito sinceramente, diz-me, já disseste àquela pessoa que gostas muito dela? Ou àquelas pessoas? Até onde sei, elas podem ser diversas, e sempre muito importantes. Se hoje fosse o último dia de vida delas, pensas que as deixarias partir por completo, sabendo tu que disseste e fizeste tudo o que poderias por elas? Não? Do que estás à espera então? Vá, pega no telemóvel, liga ou escreve uma mensagem, não tenhas medo de expor os sentimentos. Eles existem para serem correspondidos, mesmo que o caminho que tomemos não nos garantam essa reciprocidade. Mas de que seria feita a vida, se a mesma não nos desafiasse? Ah, sinto um pequeno sorriso a bater à porta. Deixa-o entrar cá para fora, para eu o poder admirar. Já te disseram que ficas fabulosa/o quando sorris? Ai sim? Então aqui te deixo mais um elogio!

Que se passa, porquê esse semblante abatido? Bateu-te alguma bad? Porque te sentes dessa maneira? Sentes-te sozinho/a, com falta de motivação, sem o que fazer? Sabes o que queres, mas não sabes por onde começar? Ah, és da opinião de que se torna difícil procurar onde nada existe? Então fica sabendo que tudo existe, e que o problema reside, exatamente, no sítio onde fazemos as nossas buscas. Estando no mesmo sítio, não hás de encontrar nada de novo, pois já te habituaste a essa rotina. Tenta sair da tua bolha, tenta conhecer novas coisas, novas pessoas, novos estilos musicais, novas aptidões, e aí, eventualmente, hás de achar o que tanto perscrutas e não te surge. Nem sempre as coisas estão onde nós julgamos estar. Começa por ver como é a tua rotina e quebra-a de vez em quando. Se o normal é saíres da escola/trabalho e ires diretamente para casa, se nesse dia não tiveres o que fazer, experimenta sair para um lugar que queiras muito e que, inicialmente, não te custe tanto no bolso. Torna-te num/a explorador/a, explora-te a ti mesmo/a, descobre o que gostas de fazer a partir dessas quebras de rotina e coloca isso em prática. 

Mas não gostas de explorar sozinho/a? Aí está outro problema: tu nunca saberás apreciar a companhia dos outros sem antes aceitares a tua própria companhia. Parece a coisa mais absurda de sempre, mas é só mais uma verdade. Para ensinares os outros como lidarem contigo, tu mesmo/a tens de saber lidar contigo mesmo/a. E fazer as coisas sozinhos, passear, cagar para o mundo de forma estilosa é algo de tão bonito e que as pessoas têm de aprender a fazer... E o que eu mais quero é que tu, minha/meu querida/o, valorizes essa mensagem. Continuando a fugir desses teus momentos, obrigar-te-á a fugir de tudo o resto, e as coisas não podem ser assim. A vida tem de se tornar leve, serena, com as suas nuances, mas mesmo assim... Olha bem para ti. Se eu estiver a conversar com alguém que se sinta realizado, putz, nem sabes a felicidade que me preenche agora; porventura, se se tratar do contrário... Achas bem o que andas a fazer contigo? Desvalorizares o que de melhor há em ti por medo, receio? Eu não acho! O que eu acho é que tu és magnífica/o, extraordinária/o, não só um pedação de pessoa, como também uma pessoa inteira. Tu tens potencial, tu tens a verdade, tu tens o talento. Só te falta a força, e eu sei que, bem lá no fundo, ela existe... Nem que eu tenha de te convidar para mais cafés, contudo, quero levantar-me daqui sabendo de que ficarás bem. Prometes? De certeza? Vou confiar em ti, e pedir um bolinho para nos acompanhar. Que preferes agora, um chá? Que venha ele!