domingo, 21 de maio de 2017

MAIO #RWSP17 \\ Mulan (1998)

Devo ser das poucas que não tem por favoritas as princesas Branca de Neve, a Bela, ou mesmo a Aurora. Confesso que sim, gosto imenso delas, mas nunca me havia identificado tanto com uma, quanto com a Mulan. Agora que revi a animação, percebo bem o porquê de tamanha identificação. Para começar, o facto dela ser diferente das outras, tanto em termos físicos, quanto psicológicos, foi algo que sempre me fascinou. Em comparação com as princesas que conheço, Mulan é das poucas que ultrapassa os limites que lhe impõem, das poucas que vai à luta por aquilo que quer e deseja, sendo o seu maior objetivo honrar a família. Ela não o fez da maneira mais convencional, arranjando um casamento que resultasse, criando uma família, mas sim colocando os pés no exército, somente para proteger o pai que já não se encontrava em condições para lutar.

A forma crua como nos expõem os interesses da sociedade chinesa da altura - e que se pode equiparar com muitas outras atualmente -, chega a chocar, não só porque a mensagem que passam aos mais novos é a de que a mulher jamais poderá exercer o mesmo papel do que o homem na sociedade, como também a de que se ela ousar tentar fazê-lo, a probabilidade de sofrer grandes consequências é enorme! Contrariamente à Branca de Neve, por exemplo, uma princesa que de certa forma é vitimada como sendo um ser que necessita de um príncipe que a salve, Mulan é aquela que se salva a si mesma, que mesmo sabendo que poderá ser morta, fita os olhos dos mais "superiores" com a mesma igualdade, batendo o pé pelos seus princípios. Mesmo tendo de escutar que ela nunca honrará a família, diga-se, arranjar um marido, Mulan não se deixa derrotar, acabando, pelo sim e pelo não, por encontrar um homem que a ama por aquilo que ela realmente é, e não pelo que os outros querem que ela seja.

Foi bom recordar as músicas, o Mushu (que criatura bela!), os cenários que nos indicam a altura em que foram preparados - esta animação já tem dezanove anos, estou a ficar velha! -, assim como encarar Mulan com um olhar orgulhoso, enquanto aplaudia os seus feitos, a sua motivação, a sua força para ser e fazer melhor! Penso que foi pela altura em que a vi pela primeira vez, que fui desenvolvendo esta minha panca pela cultura asiática, e se assim o for, fico bastante feliz pelo efeito que provocou em mim! Quanto a vocês, se nunca viram esta animação, prometo que não se arrependerão! Vale tanto pela mensagem, quanto pelo tempo bem passado!


Esta publicação insere-se no projeto do #RWSP17, em parceria com a Sofia e o Jota. Se quiserem saber o que é que eles andam a rever, basta clicarem nos nomes, respetivamente.

sábado, 20 de maio de 2017

Não é uma despedida, apenas um até já*

Nunca antes, ou pelo menos de perto, havia observado a primavera erguer-se sobre a cidade de Lisboa, pincelando-a pelas ruas fora, de tons esverdeados e arroxeados. Nas idas e vindas de ultimamente, e mesmo com um certo peso nos olhos, tem-me sido quase impossível deixar passar os detalhes de uma Lisboa primaveril, a alegria que se despe num sorriso, parcelas do corpo que aproveitam para ganhar cor, uma movimentação que confere uma outra dinâmica nos espaços que, durante o inverno, apenas habitam as moscas, ou nem isso. Durante esta última semana, principalmente, estes pormenores é que me têm salvo o couro, visto que os dias se caracterizaram em horas passadas a estudar, a desenvolver propostas do projeto final, vestir um certo stress em relação a mim mesma, afastar-me de muita coisa, aproximando-me de outras mais... Mal dormi, mal li - excetuando sebentas e mais sebentas -, tive uma crise de vertigens, a loucura! Entretanto, tracei a capa, deixei de ser caloira, vivi este momento ao lado de pessoas que jamais substituiria... Vesti o Traje por dois dias seguidos, carregando atrás não só a recordação do dia anterior, como também os odores e a sensação que fizeram do traçar aquilo que foi. Quase verti lágrimas para a capa, mas deixei que a tarefa de a humedecer pertencesse, somente, aos Padrinhos e Madrinha, guardando essa disponibilidade para depois.
É engraçado tentar dialogar com o tempo que imprime marcas na nossa alma, e fazer por compreender a pressa com que ele corre por nós. Recordo-me tão bem do choque que recebi quando me tinha apercebido de que tinha entrado na faculdade, seguido da matrícula e da construção de uma nova etapa. Se certas pessoas me perguntassem, ficariam chocadas com a resposta que lhes daria acerca da primeira pessoa com quem falei no início desta nova vida, um facto que até a mim me choca... Foram cerca de sete meses que se prolongaram num mar de aventuras, sorrisos sinceros, amarguras doces e lições com as quais aprendo todos os dias. Estão a ser os melhores meses que eu poderia desejar a mim mesma, não só pela satisfação dos meus feitos, mas principalmente por estar a aprender de que existem diferentes tipos de cansaço, e que aquele que me preenche atualmente é dos mais completos, saudáveis, sinal de uma felicidade com a qual nunca imaginei vir a conviver.

Não me arrependo de nada, nem mesmo das faltas que dei. Não me arrependo das declarações que fiz, das brincadeiras que criei, do tempo dedicado às minhas velha e nova guarda. Não me arrependo da procrastinação, do stress que alimentei, das lágrimas que banharam a minha almofada, nos momentos mais dolorosos. Deixei de ter medo de arriscar, deixei de lado o receio de expor os meus pensamentos e sentimentos, aprendi a triplicar as 24h que o dia tem, apenas para aproveitar a vida tal como ela merece, tal como eu mereço. É bom parar por uns segundos e sentir a leveza que me eleva para outros desafios, outras maneiras de pensar, que me conduz e interliga com outras pessoas. Mesmo que não o diga todos os dias, e defendo de que não faria sentido se assim se sucedesse, mas eu estou mesmo muito feliz! Custou, mas está a ser!

*A ti to dedico, primeiro ano da Faculdade! ♥

sábado, 13 de maio de 2017

Queres tomar um café comigo? #2

quanto tempo não nos víamos, sabes responder-me? Mesmo que não tenha passado assim tanto tempo, confesso que também não te sei responder. Ainda ontem celebrávamos o início do ano, e daqui a pouco mais de dois meses, estaremos muito provavelmente de férias, a curtir da praia e da música de fundo que é o mar calmo e as gritarias de quem aprecia um jogo na areia. Até lá, acredito que ainda tenhamos muito que estudar, muito que trabalhar, muito que fritar no cérebro... E é exatamente por isso que aqui estou, nesta pausa do café, para conversar contigo. Tanto como tu, reconheço o valor de nos dedicarmos aos nossos objetivos, se de facto os queremos ver cumpridos, mas pensa comigo: será que vale mesmo a pena assassinarmos mais de metade do nosso corpo, apenas para vermos uma coisinha de nada, feita? Calma, não grites comigo, não me chames de louca. Repito, tanto como tu, sei bem o que quero e que para chegar lá, tenho muito que trabalhar. No entanto, também sei que se eu dedicar todo o meu corpo a uma só atividade, eu hei de enlouquecer. Será que conseguimos concordar nisto? Aconselho-te a respirares fundo, a dares um gole nesse chá que te prometi, e preparares uma resposta que me faça ver que estás calma/o. 

Às vezes dou por mim a vaguear pelo meu pensamento, enquanto os olhos se situam vidrados num ponto da paisagem, buscando por uma resposta para a qual não tenho pergunta. A única coisa que sei pescar no meu interior é a certeza de não querer perder tempo com pormenores que acabarão por matar em mim a sede de desejar algo. E para isso se manter, reconheço o valor de não me estafar com tudo de uma vez só. Talvez seja de mim, provavelmente és o oposto da minha pessoa, mas convenhamos de que, até certo ponto, partilhamos desta característica um tanto ou quanto racional, de moderarmos a velocidade a que fazemos as coisas, para não falar da intensidade das mesmas. Seja a estudar arduamente, por um curto espaço de tempo, ou a executar um projeto para o trabalho, nós temos e devemos de ter calma, não só pela nossa saúde mental, mas principalmente para não a desgastarmos em conjunto com o nosso corpo... Tens a certeza de que tens cuidado deles? Não te andas a sentir exausta/o do nada, como se mesmo que andasses a dormir oito horas por dia, isso não bastasse? E cuidares de ti? E dares um tempo aos teus afazeres? Não digo que desperdices um dia na preguiça, mas faz como eu neste momento, e relaxa, escreve um pouco, lê um capítulo de um livro, dança por dez minutos... Dá de comer àquele lado da vida que os teus afazeres andam a espicaçar aos poucos, sem dares por isso.
Há quanto tempo não respiras? Podes-te rir à vontade desta minha questão, até eu a encaro como algo absurdo, mas analisemos a mesma: há quanto tempo não dás por ti a respirar, de peito leve, cabeça arejada, ombros relaxados, costas com postura? Não sabes o que é isso? Outro chá, por favor. Como assim? Leva a tua mão ao ombro, aperta-o o máximo que conseguires, ao mesmo tempo em que inalas. Sustem. Larga tudo. Sentiste a diferença? De verdade? Eis o conselho: repete estes movimentos no maior número de repetições possíveis, de um lado e doutro, chacoalha o stress, deixa-te arrepiar por essa sensação que estás a obter desse mesmo chá que nos faz companhia. Deixa-te seduzir pelos sonhos que são teus, pelos anseios que te pertencem, pela magnificência deste cenário que nos rodeia, seja ele de chuva ou sol, nuvens carregadas, ou não. 

Fica sabendo que só passei por aqui para te deixar este pequeno recado, para te oferecer a bebida que prometi, para te provar de que existe tempo para tudo, e para te preparar para o nosso próximo encontro. Prometo levar-te a visitar o meu local favorito, ao qual levo muito poucos, e que com certeza saberás apreciar tanto quanto eu. Até lá, não te esqueças de desacelerar o passo. Agora, terminemos as nossas bebidas, na companhia desta brisa fascinante que nos abraça. E outra coisa, não te esqueças de amar. E se não sabes ao que me refiro, pára um pouco e pensa. Sei que hás de chegar lá.


FACULDADE \\ O momento em que as sebentas nos fazem refletir*

É bastante engraçado encontrar-me nesta altura do ano, sentada na cama, rodeada de sebentas e marcadores fluorescentes, enquanto estudo, a cabeça a andar à roda com tanta informação a reter, e não deixar de pensar nas coisas que tive de ouvir da boca de terceiros, bem antes de começar as aulas. Tive de ouvir de pessoas que, muito sinceramente, a mim não me tocam assim tanto, que mais dia menos dia, eu haveria de querer desistir do curso, pois me aperceberia de que ele não haveria de ser para mim e que eu preferiria, mil vezes, trocar para Medicina ou Engenharia, visto que encontrar trabalho em Arquitetura seria impossível... Se na altura me deixei incomodar, agora posso afirmar com toda a certeza que caguei e que tanto me faz aquilo que as pessoas dizem. Cada vez mais, tenho aprendido que construir uma opinião implica que tenhamos uma certa experiência no assunto, não bastando, apenas, uma quantas leituras aqui e ali, e uns burburinhos que, por acaso, nos chegam à porta do lar.
Reconheço que seja muito raro eu vir aqui falar do meu curso, e acreditem que não é por não estar a gostar, ai de mim se me mentisse dessa maneira, é mais porque ele exige tanto de mim e da minha imaginação, que prefiro reservar todo o tempo do mundo para partilhar convosco os detalhes, assim que terminar o primeiro ano. É muita coisa para avaliar, processar, muitos detalhes que requerem uma atenção redobrada. Voltando ao tema inicial, que fique bem claro que eu estou a amar o meu curso. Tenho conhecidos e amigos que já antes do primeiro semestre terminar, já eles tinham desistido ou mudado de curso, um gesto que me foi convencendo de que sim, é isto o que eu quero fazer, por muito trabalho que me dê. Dizem que este será, em conjunto com os anos do mestrado, o ano mais soft que poderei vir a viver, mas nem isso me assusta. Se há coisa que a faculdade me tem ensinado é de que existe tempo para tudo, temos é de saber organizar as nossas prioridades. E se aquilo que conduz o pensamento dos outros para um mundo ornamentado de dificuldades, é a impossibilidade de conhecerem parte da paixão que os restantes sentem por aquilo que fazem, então lamento que assim o seja.

A paixão e a dedicação que nela vem acrescentada é o atual cala a boca que eu tenho para oferecer a quem ouse desclassificar as horas que tenho de dedicar aos meus projetos, mesmo que aos olhos da sociedade, isso não seja nada, somente um recurso em modo de substituição à quantidade de manuais ou sebentas ou lá o que for que os outros universitários têm de engolir ao longo dos semestres. Há muita coisa que as pessoas desconhecem acerca do curso de Arquitetura, e mesmo que me faça uma enorme confusão ter de ouvir, sorrir e mandar um tchau, tal é a impaciência para me explicar, a verdade é que aqui estou para vos dar a conhecer o lado sombrio e, ao mesmo tempo, brilhante do mundo dos arquitetos. Quero muito fazê-lo, mas não será hoje!


*embora tenha de regressar ao seu leito e chorar mais um pouco enquanto estudo materiais pétreos e argamassas e madeiras e vidro e tudo e tudo. E ainda dizem que isto é fácil. #inocentes

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O relato de uma condutora amadora, PT. I

lá se vão dois meses, mais ainda só tive nove aulas práticas. Quanto ao código, penso que esteja minimamente bem, talvez não tão preparada para me lançar ao exame, mas ainda assim mais instruída em comparação com a primeira vez em que pisei aquela escola. Se ainda não se situaram, comecemos pelo início: estou a tirar a carta, mas também só dei a conhecer esta facto, umas semanas após ter começado com o código. Queria certificar-me de que estava a acontecer, que finalmente poderia vir a riscar esse objetivo da minha lista. Nunca vos contei, e penso que poucas pessoas o saibam, mas em tempos eu tinha pesadelos com carros, principalmente quando ia eu ao volante. Eram sonhos baseados numa experiência nula, visto que só este ano é que peguei num carro a sério, logo, o pânico era mais que real. Alimentava em mim aquele pavor de nunca vir a sair do sítio, assim que estivesse prestes a conduzir, e quando o fiz, ainda sem estar inscrita na escola, julguei que não, eu não havia nascido para tal.

O tempo passou, tive a oportunidade de me inscrever este ano, as aulas de código começaram por ser grego, mas o tempo foi-me traduzindo as informações com muita calma e paciência. Depois de conhecer as normas para que pudesse passar à condução, o pavor transformou-se em ansiedade, mas daquelas saudáveis, que nos electrizam de cima a baixo, que nos transformam numa autêntica pilha duracel. Chegou o dia. Digamos que eu era uma autêntica banana - e ainda mo considero como tal, visto que tive pouquíssimas aulas para um período de dois meses -, mas a bananada que me caracterizava na altura já não é a mesma: se hoje dou para lerda, é mesmo porque de certa forma ainda tenho medo de certas manobras, ao mesmo tempo em que confundo as informações que me chegam, o normal, portanto. Se de início, partilhar a atenção da estrada com os espelhos era impensável, hoje até já consigo acompanhar o trajeto de um peão que esteja na berma do sentido contrário, e focar-me sem problemas. Não que o faça regularmente, mesmo para quem já tem anos disto, a distração é uma das causas dos acidentes, contudo, este exemplo serve, somente, para conseguir comparar o meu à vontade para com o carro. 
É fascinante ter aquele poder, aquela oportunidade de "passear" pelas ruas da cidade; aperfeiçoar as curvas; panicar com as rotundas, enquanto o instrutor pega no volante connosco, e nos explica que temos de ter calma; ultrapassar minimamente a velocidade e escutar "Qual é que é o limite aqui?", e nós reconhecermos de que errámos e reparar o erro... Apesar dos pesadelos, dos medos, no fundo sempre soube que conduzir haveria de ser algo que eu passaria a gostar de fazer, para mais que não seja devido à liberdade que nos abraça, o vento a entrar pelas janelas, o reconhecimento que fazemos no motor, este que pede por uma mudança nova... Ainda me atrapalho com coisas mínimas, mas acredito que com a prática, o tempo e a paciência, para não falar também do meu instrutor que é cinco estrelas, mais dia, menos dia, hei de estar por aí de sorriso no rosto, com a carta na mão e a adrenalina de me tornar independente no ato de conduzir. Levou o seu tempo, mas está a valer totalmente a pena.

Já têm a carta? Como é que foi a vossa experiência?