sábado, 15 de abril de 2017

As marcas que deixam marcas

Existem marcas em particular que me acompanham já há algum tempo. Poderia estar aqui a mencionar as marcas psicológicas que se foram acumulando, mas essas ninguém vê, excetuando certas regras, e que dependem do quão disponível estou para as fazer ver. As marcas de que aqui venho falar são físicas, visíveis e que chamam sempre a atenção. Muita gente as detesta, quando são as marcas delas; outras tomam-nas como detalhes que não deveriam existir, mas pela parte que me toca, só tenho a dizer bem. Com o passar dos anos, e tendo em conta as mudanças que eu fui implementando na minha vida, o meu corpo serviu para a Natureza como uma tela livre, limpa e disponível, um palco para as suas linhas, umas simples, outras mais elaboradas, e ainda assim bonitas. A primeira zona onde as identifiquei foi na barriga, qual alvo mais sofrido, e embora na altura me tenha questionado do porquê de isto me estar a acontecer, quando descobri a razão, comecei por encarar as consequências com outros olhos. Gradualmente foi passando para o peito, as virilhas, os ombros, e por aí vai. Encarar-me no espelho era complicado, existem certas idades onde se torna difícil gostarmos de nós, das nossas características, encontrar em nós as nossas qualidades, mas as pessoas crescem, não é verdade?
Hoje dedico esta publicação às estrias. Tal como disse mais acima, há quem não saiba lidar com esta consequência. Há quem desista de usar camisas de manga cava, há quem adote os fatos-de-banho no lugar dos biquínis, há quem abdique dos calções... Exetuando a conversa dos biquínis, se há coisa que eu gosto de exibir no meu corpo são as estrias. Muitas são as pessoas que não percebem como é que elas se formam, mas se formos a ver pelo lado positivo, o facto de elas cá estarem é porque nós decidimos lutar por um objetivo, e no meio da batalha, passámos por altos e baixos. A minha mãe muitas vezes me diz que quando eu atingir o corpo que quero para mim, as estrias permanecerão, sempre com alguma pena na voz, afinal, ela é minha mãe e só quer que eu fique bem psicologicamente, contudo, a única resposta que tenho para lhe dar é que eu gosto das minhas estrias e do facto de elas imprimirem em mim a minha jornada, os meus objetivos, e por refletirem o meu à vontade com elas. Mesmo que eu pudesse, eu não as tiraria de mim. De certa forma, elas cresceram comigo, elas acompanharam-me como ninguém, elas disseram e continuam a dizer-me o quão forte, flexível e resistente eu consigo ser, apesar das adversidades. Não só em mim, sou da opinião que as estrias ficam bem em qualquer um, seja homem ou mulher... 
Ou talvez seja de mim. Gosto de ter as coisas no sítio, mas existem particularidades que aprecio mais do que outras, e estas imperfeições - e chamo-as assim, porque sejamos honestos, a ideia de perfeição ainda não foi abatida na sociedade em que vivemos -, são o que me conquistam. Em casa, se eu fizer dois bolos e um deles sair mais amachucado do que o seu companheiro, eu terei olhos para o primeiro; não porque o segundo não tenha qualidades, mas sim porque o outro tem o que os outros não costumam ter... E é assim que eu penso, é assim que me rejo, e é assim que eu espero continuar a ser. Muitas foram as vezes em que duvidei que alguém quisesse olhar para mim sem me julgar por estes pormenores, mas acontece que eu tenho uma sorte danada no que toca a amizades, e até hoje, ninguém me desiludiu. Exetuando a desilusão que eu já senti de mim mesma, essa também já desapareceu. Em conjunto com as estrias, há outras marcam que deixam marcas, mas isso já é assunto para outro dia.

3 comentários:

  1. E esta é uma forma tão positiva e bonita de ver a vida! Eu também tenho bastante estrias mas, sinceramente, nem me lembro delas. Fazem parte de mim e não me vou preocupar com a opinião de terceiros. Ainda bem que não te preocupas também! Só ganhamos com isso :)

    ResponderEliminar
  2. Não tenho mais nada a dizer senão: Isto é mesmo como imagino a tua forma de ver a vida, muito Lyne de ti. Inspiraste-me!

    ResponderEliminar
  3. És cá das minhas! :D Eu cresci com as estrias e elas são a marca de muitas lutas. As primeiras e críticas apareceram-me nos lados da barriguinha, quando estive super adoentada e em 2 semanas perdi cerca de 10kg. Foi um choque duro demais para o corpo aguentar. Se fiquei triste? Não. As das virilhas eram as mais feias e as que mais me custava olhar, apareceram-me pouco depois desta altura e eram das negras. Hoje em dia lido bem com elas :D No peito, já acho normal... vivem comigo desde que as meninas apareceram, por isso nem me moem muito. Aliás, só há duas coisas que detesto no meu corpo: estar gordinha (resolvendo) e acne (a puberdade não me deixa!).


    São as marcas mais imperfeitas, mas elas contam mesmo histórias de vida. Sigo uma página de instagram que é só sobre isso: @LoveYourLines. São de pessoas anónimas e contam as suas histórias. Devias ver :P
    E bora lá celebrar o corpo e ver as coisas de outra forma! :D

    www.letsdonothingtoday.com

    ResponderEliminar