sábado, 13 de maio de 2017

Queres tomar um café comigo? #2

quanto tempo não nos víamos, sabes responder-me? Mesmo que não tenha passado assim tanto tempo, confesso que também não te sei responder. Ainda ontem celebrávamos o início do ano, e daqui a pouco mais de dois meses, estaremos muito provavelmente de férias, a curtir da praia e da música de fundo que é o mar calmo e as gritarias de quem aprecia um jogo na areia. Até lá, acredito que ainda tenhamos muito que estudar, muito que trabalhar, muito que fritar no cérebro... E é exatamente por isso que aqui estou, nesta pausa do café, para conversar contigo. Tanto como tu, reconheço o valor de nos dedicarmos aos nossos objetivos, se de facto os queremos ver cumpridos, mas pensa comigo: será que vale mesmo a pena assassinarmos mais de metade do nosso corpo, apenas para vermos uma coisinha de nada, feita? Calma, não grites comigo, não me chames de louca. Repito, tanto como tu, sei bem o que quero e que para chegar lá, tenho muito que trabalhar. No entanto, também sei que se eu dedicar todo o meu corpo a uma só atividade, eu hei de enlouquecer. Será que conseguimos concordar nisto? Aconselho-te a respirares fundo, a dares um gole nesse chá que te prometi, e preparares uma resposta que me faça ver que estás calma/o. 

Às vezes dou por mim a vaguear pelo meu pensamento, enquanto os olhos se situam vidrados num ponto da paisagem, buscando por uma resposta para a qual não tenho pergunta. A única coisa que sei pescar no meu interior é a certeza de não querer perder tempo com pormenores que acabarão por matar em mim a sede de desejar algo. E para isso se manter, reconheço o valor de não me estafar com tudo de uma vez só. Talvez seja de mim, provavelmente és o oposto da minha pessoa, mas convenhamos de que, até certo ponto, partilhamos desta característica um tanto ou quanto racional, de moderarmos a velocidade a que fazemos as coisas, para não falar da intensidade das mesmas. Seja a estudar arduamente, por um curto espaço de tempo, ou a executar um projeto para o trabalho, nós temos e devemos de ter calma, não só pela nossa saúde mental, mas principalmente para não a desgastarmos em conjunto com o nosso corpo... Tens a certeza de que tens cuidado deles? Não te andas a sentir exausta/o do nada, como se mesmo que andasses a dormir oito horas por dia, isso não bastasse? E cuidares de ti? E dares um tempo aos teus afazeres? Não digo que desperdices um dia na preguiça, mas faz como eu neste momento, e relaxa, escreve um pouco, lê um capítulo de um livro, dança por dez minutos... Dá de comer àquele lado da vida que os teus afazeres andam a espicaçar aos poucos, sem dares por isso.
Há quanto tempo não respiras? Podes-te rir à vontade desta minha questão, até eu a encaro como algo absurdo, mas analisemos a mesma: há quanto tempo não dás por ti a respirar, de peito leve, cabeça arejada, ombros relaxados, costas com postura? Não sabes o que é isso? Outro chá, por favor. Como assim? Leva a tua mão ao ombro, aperta-o o máximo que conseguires, ao mesmo tempo em que inalas. Sustem. Larga tudo. Sentiste a diferença? De verdade? Eis o conselho: repete estes movimentos no maior número de repetições possíveis, de um lado e doutro, chacoalha o stress, deixa-te arrepiar por essa sensação que estás a obter desse mesmo chá que nos faz companhia. Deixa-te seduzir pelos sonhos que são teus, pelos anseios que te pertencem, pela magnificência deste cenário que nos rodeia, seja ele de chuva ou sol, nuvens carregadas, ou não. 

Fica sabendo que só passei por aqui para te deixar este pequeno recado, para te oferecer a bebida que prometi, para te provar de que existe tempo para tudo, e para te preparar para o nosso próximo encontro. Prometo levar-te a visitar o meu local favorito, ao qual levo muito poucos, e que com certeza saberás apreciar tanto quanto eu. Até lá, não te esqueças de desacelerar o passo. Agora, terminemos as nossas bebidas, na companhia desta brisa fascinante que nos abraça. E outra coisa, não te esqueças de amar. E se não sabes ao que me refiro, pára um pouco e pensa. Sei que hás de chegar lá.


2 comentários:

  1. Doce Lyne. Percebo agora porque querias que lesse. De facto, muito do que escreveste era o qie eu precisava de ouvir. Como me senti compreendida e de olhos abertos. Ando a fazer tão mal ao concentrar-me numa só coisa. Tens tanta razão. Lembro eu de me amar diariamente? Amo muito os outros. Com força. Mas tenho esquecido que é preciso cuidarmos também de nós, ou não conseguiremos estar cá para os outros. Obrigada meu anjo. Era deste café que precisava de tomar!

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